Make your own free website on Tripod.com

16 de dezembro / 2004

Bigodes que valem uma fortuna

Dois bigodes postiços que Charlie Chaplin (foto) usou ns filmagens de O Grande Ditador (1940) foram arrematados na Christie´s de Londres por US$ 34,7 mil e U$ 23,1 mil, respectivamente. Uma bengala de bambu exibida no filme mudo Tempos Modernos (1936) foi vendida por U$ 92,6 mil.

Fonte: Jornal "O Estado de Minas"


14 de dezembro / 2004

Bengala de Chaplin e carro de James Bond são leiloados em LONDRES.

14 Dez (AFP) - A bengala usada por Charlie Chaplin em "Tempos modernos" foi vendida por 47.800 libras (mais de 92.000 dólares) em um leilão realizado esta terça-feira em Londres, informou a casa Christie's.

Também foram leiloados dois bigodes postiços usados por Chaplin no clássico "O grande ditador", pela quantia de 17.925 libras e 11.950 libras.

Outros objetos deste leilão cinematográfico foram o automóvel usado por Sean Connery em "007 - Os diamantes são eternos" (1971), adquirido pela rede de restaurantes Planet Hollywood por 23.900 libras; e um capacete utilizado em dois episódios de "Guerra nas estrelas", de George Lucas. Este último foi vendido por 13.145 libras, valor bastante acima das 40 libras pagas por seu já ex-proprietário há 12 anos.

Fonte http://cinema.uol.com.br/ultnot/2004/12/14/ult32u9986.jhtm


01/07/2004 - 13h32

MIS exibe documentário sobre a história de Charlie Chaplin

da Folha Online

O Museu da Imagem e do Som presta um tributo ao gênio do cinema Charlie Chaplin (1889-1977) com a exibição do documentário "Charlie: A Vida e a Arte de Charles Chaplin" nos quatro domingos de julho, sempre às 19h.

"Charlie:The Life and Art of Charles Chaplin" (2003), no original em inglês, é um dos principais filmes já feitos sobre a história do ator, diretor, produtor e autor britânico, trazendo depoimentos de grandes nomes das telas --como Woody Allen e Martin Scorsese--, e mostrando a contribuição de Chaplin para a história do cinema.

O documentário, dirigido pelo crítico de cinema americano Richard Schickel, resume a trajetória de Chaplin a partir de material exclusivo do acervo de sua família, além de cenas de seus clássicos.

23 de março /2003

DVDs da Warner Brothers

Os fãs de Charlie Chaplin podem começar a pular de alegria. Como a Warner Brothers Home Entertainment havia prometido, ela lançará “versões definitivas” dos filme de Chaplin. Os primeiros quatro títulos são esperados para junho. Tempos Modernos (Modern Times), Luzes da Ribalta (Limelight), O Grande Ditador (The Great Dictator) e uma edição muito especial de A Corrida do Ouro (Gold Rush).

À medida que os filmes passaram de mudos para sonoros, Chaplin criou Tempos Modernos (Modern Times) usando o som de maneira incomum, como uma engenhosa metáfora para os tempos em que ele viveu. Que irônico que o som, que representava a mudança tecnológica, agora tenha sido masterizado em Dolby Digital 5.1 mantendo o filme em sua relação de aspecto original de 1.37:1. O DVD conterá o documentários, cena alternativa, notas originais, notas de produção sobre a seqüência de “alimentação da máquina”, trailers internacionais, extensiva galeria de fotos e posters.

Luzes da Ribalta (Limelight) também manterá a relação de aspecto original (1.37:1) e a trilha musical original mixada em Dolby Digital 5.1. Terá ainda o documentário “Chaplin Today - Limelight: MK2TV”, bem como um filmete sobre os outros sete membros da família Chaplin presentes no filme, filmes caseiros de Chaplin criança e Chaplin em Londres, cenas deletadas após a premiere, uma introdução feita por David Robinson, trailers, galerias de fotos e posters, trilha sonora isolada, trechos do texto de trabalho de Chaplin sobre o romance no qual o filme é baseado, um trecho do filme “O Professor” de 1919 (inacabado) e notas de produção.

Um de seus filmes mais controversos, O Grande Ditador (The Great Dictator), será apresentado na relação original (Academy Ratio) com uma trilha masterizada em Dolby Digital 5.1. O DVD traz ainda o documentário “The Tramp and the Dictator: Acclaimed Turner Classic Movies”. Outros recursos incluem filmes coloridos raros de Chaplin, uma cena deletada de um curta-metragem (Sunnyside), um trecho de Monsieur Verdoux (Hitler/Mussolini), notas originais de Chaplin sobre a história, rascunhos de roteiros e regitros documentais da criação da seqüência final, uma galeria de posters e um trecho de cinejornal sobre Adolph Hitler.

Por fim, um dos filmes mais celebrados de Chaplin: A Corrida do Ouro (The Gold Rush). Uma cópia decente do filme original tem sido um sonho dos colecionadores através dos tempos. Versões alternativas e editadas, trilhas sonoras posicionadas erradamente, baixa qualidade de áudio e vídeo têm sido uma praga desde o relançamento do filme em 1942, com áudio e novas inserções (bem antes de George Lucas ter a idéia de reinventar seus filmes). Finalmente, uma versão totalmente restaurada do original de 1925, com a trilha composta por Chaplin colocada de volta no filme (masterizada em nada mais nada menos do que Dolby Digital 5.1). Como bônus, o DVD trará a “versão 1942” do filme completa. Entre os extras vale destacar o documentário “Chaplin Today - The Gold Rush: MK2TV”, trailers do mundo todo, galeria de fotos e posters, uma entrevista com Lita Grey Chaplin, e o cenário escrito por Chaplin antes das filmagens.

Todos estes ótimos DVDs da Warner Brothers chegam às lojas da região 1 no dia 1º de julho, com um preço sugerido de US$ 29.95 cada.

Os filmes de Chaplin têm sido “destroçados” pelas distribuidoras pequenas aqui no Brasil. Esperamos que a Warner lance todos estes títulos por aqui.

Fonte: DVD Review


4 de fevereiro de 2003.

Jane Chaplin escribe en La Heroica

Jane Chaplin, una de las hijas del legendario actor y director británico Charles Chaplin, está escribiendo en la calurosa Cartagena un libro sobre su familia.

Jane, directora y guionista, será uno de los miembros del jurado del XLII Festival Internacional de Cine de Cartagena, que empieza el próximo 28 de febrero y que se extenderá hasta el 7 de marzo.

En el festival, que otorga cada año los premios India Catalina, será homenajeado Charles Chaplin y presentada una copia restaurada de 'El gran dictador' (1940), uno de sus primeros filmes sonoros.

"Creo que mi papá debe estar muy contento por esto", manifestó Jane Chaplin.

La cineasta, de 46 años, es una de las hijas menores del célebre Charlot, fallecido en 1977, y Oona O'Neil.

"Estoy encantada de estar en Cartagena. Pienso que es el mejor lugar para escribir un libro", dijo Jane en un aceptable castellano, aunque afirmó que "voy a mejorarlo".

Al festival han confirmado su participación películas cubanas, brasileñas, chilenas y peruanas, entre otras.

Fonte: http://elpais-cali.terra.com.co/historico/feb042003/EVE/A104N2.html


08 de janeiro de 2003

Charlie Chaplin vai ganhar museu de US$ 30 milhões na Suíça

LOS ANGELES - Charlie Chaplin (1889-1977) vai ganhar mais uma homenagem póstuma: um museu de US$ 30 milhões na cidade suíça de Vevey, onde a família do ator ainda mantém uma casa. A família do astro do cinema mudo declarou que a proposta não é ‘exibicionismo’, a idéia é fazer uma homenagem a Chaplin. O museu deve ficar pronto em 2005, segundo o site ‘IMDB’.

Fonte: http://globonews.globo.com/GloboNews/article/0,6993,A465153-13,00.html


24 de dezembro de 2002

Suíça celebra 25 anos da morte de Charles Chaplin


A Suíça lembra o cineasta Charles Chaplin no 25o aniversário de seu falecimento, que se comemora nesta quarta, na cidade de Corsier-sul-Vevey, junto ao lago Lemán.
Vevey, que já tem uma estátua dedicada ao gênio, homenageará Chaplin com um museu, previsto para 2005 no terreno no qual foi a residência de seus últimos anos e onde viveu feliz com sua numerosa família.

Eugene Chaplin, de 48 anos, o quinto filho de Chaplin com sua mulher Oona, e produtor de um documentário que homenageia seu pai, vive ainda nessa residência, a Manoir de Ban. "Meu pai amava muito sua família. Era exigente tanto com ele mesmo como com o demais e odiava a preguiça", explica em declarações ao jornal genebrês Le Matin.

"Vejo em Chaplin o personagem universal: um eterno otimista, um humanista que combate os defeitos da sociedade. Não tem nada, mas lutou para defender sua dignidade. Chaplin é um símbolo muito forte, sobretudo hoje, em plena era da globalização", acrescenta seu filho.

Charles Chaplin conheceu Gandhi, o físico Einstein, as pessoas mais célebres da sua época, mas falava pouco deles para a família, lembra Eugene Chaplin, segundo o qual o ator James Mason era um dos frequentadores de sua casa assim como o autor de teatro britânico Noel Howard, o escritor norte-americano Truman Capote e Yul Brynner.

Sofia Loren, que trabalhou sob suas ordens em A Condessa de Hong Kong, era "muito amável e fazia todo o possível para agradar seu pai, o oposto de Marlon Brando, sempre reticente a seguir qualquer instrução" segundo o filho do cineasta.

Eugene Chaplin lembra que sua mãe, Oona, falecida em 1991, se ocupava dos problemas domésticos e decidia tudo relacionado com os filhos, procurando assim facilitar a criação de Charles Chaplin.

Chaplin esteve casado quatro vezes e teve ao todo onze filhos: dois com Lita Grey, outro, morto três dias após seu nascimento, com Mildred Harris, e finalmente oito com Oona O'Neill. Paulette Godard foi uma exceção e não lhe deu nenhum filho.

Sydney Chaplin, nascido em 1926, de Charles e Lita Grey, rodou alguns filmes e fez alguns trabalhos como ator na Broadway, mas nunca brilhou realmente nessa arte, enquanto seu irmão, Charles Jr., que também não teve uma carreira destacada, morreu de alcoolismo em 1968.

Dos oito filhos que teve com Oona O'Neill, a mais célebre é sem dúvida a mais velha, Geraldine, nascida em 1944, que participou de cerca de cem filmes desde sua primeira aparição, não constando dos créditos de Ribaltas, filme de seu pai.

Michael Chaplin, nascido em 1946, fez três filmes nos anos 60 e como sua irmã Josephine Chaplin (1949), se aventurou também com a câmera, mas sem conseguir a popularidade de Geraldine, que trabalhou para diretores como David Lean, Robert Altman, Alan Rudoph, Carlos Saura e Pedro Almodóvar.

Michael Chaplin tem em seu poder várias produções francesas nos anos setenta, entre eles dois longas com os Chaplin.

Victoria Chaplin (1951) só trabalhou com seu pai e em uma série enquanto Eugene Chaplin (1953) se envolveu com o festival de cinema cômico de Vevey e cuida da herança paterna em Vevey.

Jane (1957) e Annette (1959) nunca fizeram cinema enquanto Christopher Chaplin (1962) fez alguma incursão pela sétima arte.

Duas netas do cineasta, Dolores e Carmen Chaplin, ambas filhas de Michael, perpetuaram a tradição familiar, tornando-se atrizes.


21 de outubro de 2002

Descobertas bobinas com imagens inéditas de O Grande Ditador

Umas velhas bobinas da rodagem de O Grande Ditador, de Charles Chaplin, apareceram em uma casa pertencente aos descendentes do cineasta na localidade suíça de Corsier-sul-Vevey (no cantão de Vaud).
Os Chaplin fizeram a descoberta, segundo a edição de ontem do jornal genebrês Le Matin, há algum tempo durante uns trabalhos de restauração da casa familiar, chamada "le Manoir de Ban", ao abrir umas malas que foram de Sydney Chaplin, irmão do humorisa.

As malas guardavam um lote de bobinas de 16 milímetros que mostravam 25 minutos de imagens inéditas da rodagem de O Grande Ditador, dirigido por Chaplin em Hollywood em 1939.

Graças a esse importante documento é possível descobrir hoje o ambiente da rodagem e a forma em que Carlitos dirigia seus atores ao mesmo tempo que interpretava o papel de protagonista do filme: um barbeiro judeu sósia do ditador nazista alemão, Adolf Hitler.

Nessas imagens, feitas por Sydney Chaplin, se vê Carlitos ensaiar repetidamente a saudação nazista enquanto que dúzias de atores e comparsas esperam com paciência que termine ou dar uma bronca a um assistente por não ter cumprido um prazo.

Também se descobre uma cena que foi eliminada da montagem final do filme: Chaplin queria terminar o filme mostrando aos soldados dançando entre eles mas, descontente aparentemente do resultado, preferiu concluí-la com o famoso discurso no que faz uma chamada a favor do pacifismo e da tolerância.

Sydney Chaplin passou praticamente toda sua vida junto a seu irmão, fazendo o papel sobretudo de assessor comercial. "Lhe encantava viajar", lembra seu sobrinho Eugene Chaplin, de 49 anos, um dos filhos de Charles Chaplin, que continua vivendo na velha residência familiar e guarda dele uma excelente lembrança.

"Nos Estados Unidos, enquanto os outros viviam em Hollywood, ele preferiu sempre viver em uma "roulotte". Mas quando meus pais vieram instalar-se na Suíça, em 1952, Sydney os acompanhou ao Velho Continente. Aqui viveu entre Nice (França) e Montreux (uíça)", explica o sobrinho.

Este excepcional documento de Sydney Chaplin, falecido na Suíça em 1965, doze anos deppois que Charles Chaplin, será distribuído brevemente.

Eugene Chaplin, primeiro dos filhos que Oona e Charles Chaplin tiveram na Suíça, acaba de concluir um documentário sobre seu famoso pai.

"Tive o privilégio de nascer (em 1953) e crescer em um momento no qual meu pai era perfeitamente feliz. Em meu documentário, no qual colaboro com minha filha Kiera, que tem hoje 20 anos, quis mostrá-lo tal e como era. Muita gente pensa que era duro e severo, mas vão descobrir, pelo contrário, um homem muito amável", diz Eugene em umas declarações a Le Matin.

Eugene Chaplin colocou o título de Minha homenagem a esse filme de 58 minutos destinada à televisão e produzido a partir de diferentes arquivos familiares.


22 de Julho de 2002

Grã-Bretanha hesitou muito antes de dar título a Chaplin

LONDRES (Reuters) - As autoridades britânicas passaram anos considerando e reconsiderando a possibilidade de dar ou não um título de cavaleiro ao popularíssimo astro do cinema Charlie Chaplin. A hipótese foi rejeitada nos anos 50 e aceita duas décadas mais tarde, conforme revelam documentos que vieram à tona recentemente.

Os documentos do Arquivo Público Britânico revelam que, num primeiro momento, diplomatas procuraram impedir que a honraria fosse concedida a Chaplin, por medo de contrariar os Estados Unidos.

Celebrado pelo imortal personagem Carlitos, o britânico Chaplin fez sua carreira em Hollywood, mas não foi autorizado a retornar aos EUA depois de viajar em férias, em 1952.

Conservadores norte-americanos o tacharam de comunista ou, no mínimo, de simpatizante comunista, acusação essa que ele sempre negou.

E a opinião pública se voltou contra o ator por ele ter se casado e divorciado duas vezes com mulheres de apenas 16 anos e resistido a um longo processo de paternidade movido contra ele por outra mulher.

Os documentos sugerem que os diplomatas britânicos consultados nos anos 50 para avaliar o impacto que teria a concessão do título a Chaplin sobre a opinião pública norte-americana eram, eles próprios, hostis ao artista.

Um funcionário do Departamento Americano do Ministério do Exterior britânico escreveu, em outubro de 1956, que "a rainha pode se dispor a passar por cima das objeções políticas feitas a Chaplin, mas duvido muito que ela pudesse fazer o mesmo com as objeções de natureza moral, já que elas são motivo de preocupação para o público britânico também, não apenas para o norte-americano".

"Não há nada de amoral no casamento com moças de 16 anos, mas fica claro que esses casamentos desagradaram ao público norte-americano", escreveu o funcionário.

ÁGUAS PASSADAS

As autoridades britânicas ainda estavam discutindo a concessão do título a Chaplin na década de 70, quando a paranóia anticomunista dos EUA já desaparecera havia muito tempo e Chaplin, cidadão britânico residente na Suíça, era casado havia décadas com sua última esposa, Oona.

Em 1971, o departamento civil escreveu ao Ministério do Exterior dizendo que o nome de Chaplin tinha sido aventado como candidato ao título de cavaleiro por "fontes altamente respeitáveis, até distintas".

O embaixador britânico em Washington respondeu a Londres: "A conduta matrimonial e política do sr. Chaplin é coisa do passado. Hoje ele é visto como uma figura paterna anglo-americana que é responsável por atuações brilhantes e por ter dado uma contribuição artística de grande nota aos primórdios do cinema".

Em 1972 Chaplin retornou aos Estados Unidos em turnê triunfal e recebeu um Oscar especial da Academia. Mas a Grã-Bretanha só lhe concedeu o título de cavaleiro em 1975. Ele morreu dois anos mais tarde.

(Por Peter Graff)


14 de fevereiro de 2002

Estréiam cenas descartadas de O Grande Ditador de Chaplin

The Tramp and the Dictator, um documentário de 55 minutos sobre as cenas descartadas por Charles Chaplin quando realizou O grande ditador, sua famosa sátira à Alemanha nazista, estreou esta quinta-feira no Festival Internacional de Cinema de Berlim.
O historiador britânico Kevin Brownlow, que produziu uma bem-sucedida série chamada O Chaplin Desconhecido, dirigiu este documentário, narrado pelo ator e diretor Kenneth Branagh.

O material de 16 milímetros que mostra imagens coloridas deste clássico em preto e banco de 1940 foi encontrado em muito bom estado pelo filho mais novo de Chaplin, Christopher, e sua irmã Victoria, no sótão da residência familiar de Vevey, às margens do Lago de Genebra, na Suíça, durante obras de restauração da mansão.

As cenas, apresentadas agora 62 anos depois da estréia, revelam que o genial ator e diretor tinha imaginado outro final para seu filme.

A idéia original, segundo se pode apreciar neste material, era que os dois exércitos inimigos se unissem num baile. Mas era muito difícil de fazer e Chaplin teve que descartá-la, depois de muitas dificuldades técnicas.

Recorreu então a uma nova encenação que deu origem ao famoso final do filme, no qual Chaplin olha diretamente para a câmara e faz um discurso em favor da paz mundial.

O Grande Ditador, em cópia nova, vai encerrar o Festival Internacional de Cinema de Berlim numa noite de gala no próximo domingo 17 de fevereiro.

"É um achado e nos alegramos muito que a família Chaplin nos tenha permitido aceder a estas imagens", disse Brownlow ao apresentar o documentário.

O material de 25 minutos encontrado na residência da Suíça estava guardado em uma maleta, aparentemente esquecida lá por Sydney Chaplin, irmão de Charles, que tinha feito as tomadas, algumas das quais jamais montadas.

As imagens, nas quais se vê inclusive Chaplin trabalhando, pôem em dúvida que ele fosse um diretor de temperamento tranquilo e que nunca ficasse nervoso.

Em uma das cenas o vemos repreendendo uma assistente de direção que não havia concluído uma tomada, enquanto em outras fica frisado o sentido perfeccionista quase obssesivo de Chaplin. Assim, por exemplo, o vemos ensaiando várias vezes a saudação nazista, enquanto centenas de extras esperavam sem fazer nada.

Chaplin trabalhou durante mais de um ano na rodagem do filme, que ele mesmo financiou. A fita não pôde ser exibida na Europa ocupada pelos nazistas, mas teve um sucesso de bilheteria em 1940, tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos, que ainda não tinham entrado na Segunda Guerra Mundial.

Sempre se supôs que Hitler nunca chegou a ver O Grande Ditador. No entanto, o historiador britânico acredita ter encontrado provas que sugerem que o líder nazista viu privadamente o filme. Reinhard Spitzy, que integrava o círculo íntimo do chanceler alemão e que aparece no documentário, afirma que "Hitler teria achado divertido o filme. Era um homem que tinha sentido do humor e teria sido capaz de ver o lado engraçado do retrato satírico desenhado por Chaplin", concluiu.


26 de abril de 2001

Grupo francês compra direitos dos filmes de Chaplin

O grupo francês MK2 adquiriu os direitos internacionais dos filmes de Charlie Chaplin. Em um comunicado, a empresa distribuidora disse que os direitos referentes às vendas internacionais abrangem o cinema, televisão, vídeo e DVD.
O catálogo conta com 18 obras, que vão desde os primeiros filmes mudos, de 1918, até longas, de 1958 e 1959. Nascido em 1889, Chaplin morreu em 1977, aos 88 anos.

Fonte: JB Online


10 de dezembro de 2000

Charles Chaplin, um mestre também na música

O genial artista compôs a trilha de vários de seus filmes e, como não sabia escrever partituras, cantarolava as melodias para que seus colaboradores orquestrassem a improvisação

Reproduções
Chapilin utilizava a música como contraponto para satirirzar e enfatizar os sentimentos

CHARLOTTE HIGGINS

The Guardian

LONDRES - "Nada é mais emocionante do que ouvir uma orquestra de 50 instrumentos tocar por primeira vez uma música que a gente mesmo compôs", escreveu Charlie Chaplin em sua biografia. Talvez por ele ter sido um gênio de muitas facetas - ator cômico de imaginação extraordinária, diretor perfeccionista e incansável, co-fundador da United Artists -, parece razoável que Chaplin tenha mais um talento.

Mas, embora isso seja hoje em grande parte uma coisa esquecida, o criador de O Vagabundo foi um músico consumado que escreveu trilhas sonoras para quase todos os seus filmes - embora essas músicas nem sempre tenham sido creditadas a ele, como no caso de O Grande Ditador, cuja trilha sonora foi escrita por Chaplin em parceria com outro músico. Sua trilha de Luzes da Ribalta mereceu-lhe um Oscar; Petula Clark chegou a fazer um enorme sucesso com a canção This Is My Song, de A Condessa de Hong Kong, composta por Chaplin.

As músicas de Chaplin são melodias que se aprende com naturalidade; ficam soando em nossa cabeça e, sem querer, a gente se vê assobiando suas melodias. Seu sentimento pela música veio de uma infância mergulhada nas canções e valsas dos salões de música. Quando menino, Chaplin trabalhou no teatro como membro de um grupo itinerante de sapateado, chamado Eight Lancashire Lads (Os Oito Rapazes de Lancashire) e, mais tarde, para a bem-sucedida companhia de comédia pertencente ao empresário Fred Karno. Ele tocava piano e, quando criança, adquiriu um violino e um violoncelo (com as cordas colocadas ao contrário, porque era canhoto). Como não sabia ler música, tocava todos os seus instrumentos de cor.


Ambições - "Desde os 16 anos eu me exercitava em meu quarto, de quatro a seis horas por dia. Todas as semanas, tinha aulas com o maestro do teatro ou alguém recomendado por ele", escreveu ele na autobiografia. "Eu tinha grandes ambições de ser um artista de concerto, ou, se isso não desse certo, de usar o concerto num espetáculo do teatro de variedades", acescenta.

Mas por que Chaplin acabou compondo? O fator determinante foi a introdução do som nos filmes. Ele concebeu seu filme Luzes da Cidade como um filme mudo, mas o som tornou-se uma opção enquanto o filme estava sendo realizado.

Segundo Carl Davies, que regeu no último dia 2, em Londres, a partitura de Chaplin para Em busca do Ouro, "ele tomou uma decisão espantosa - manter Luzes da Cidade como um filme mudo, isto é, sem diálogo. Mas aproveitou a nova tecnologia para escrever e gravar uma música e também alguns efeitos sonoros. Foi então que evoluiu a idéia de Chaplin como compositor".

Esse arranjo deve ter combinado inteiramente com Chaplin, avesso a conversas. Antes da introdução do som, ele escolhia pessoalmente a música que devia ser tocada nos cinemas com seus filmes mudos. Mas a invenção da trilha sonora gravada deu-lhe um controle absoluto - um conceito que foi de capital importância para sua maneira de filmar.

O som lhe permitia criar uma obra de arte consumada, completa em todos os sentidos. Nada seria deixado para o acaso: tudo agora seria perfeitamente, inefavelmente Chaplin. A técnica foi tão bem-sucedida que mais tarde Chaplin voltou aos seus filmes mudos anteriores e lançou-os com trilhas sonoras. Foi assim que Em Busca do Ouro, originalmente feito em 1925, ganhou sua sonorização em 1942.

Como Chaplin não sabia ler música, quando se tratava de escrever trilhas sonoras ele cantarolava e improvisava e seus colaboradores captavam e orquestravam sua improvisação. "Seus assistentes passavam por momentos terríveis", contou Davis. "Deve ter sido uma tortura. Ele era muito, muito temperamental."

O próprio Chaplin escreveu a respeito desse processo: "Às vezes, um músico costumava ser arrogante comigo e eu costumava interrompê-lo dizendo curto e seco: `Seja qual for a melodia, o resto é apenas um acompanhamento musical.' Depois de colocar música em um ou dois filmes comecei a pensar numa partitura de maestro com olho profissional e tentar saber se havia ou não excesso orquestral na composição. Se eu via uma porção de notas na secção dos instrumentos de metal e de sopro costumava dizer: `Está muito preto nos metais' ou `muito carregado nos sopros de madeira'."

A experiência anterior de Chaplin nos salões musicais também influenciou a maneira como trabalhava a música. Como afirmou ele numa entrevista radiofônica em 1952: "Uso a música como um contraponto e aprendi isso com a Companhia de Fred Karno."

"Por exemplo, se havia um ambiente miserável no qual tabalhavam muitos comediantes fazendo o papel de vagabundos, eles teriam música fina, muito bonita, algo do século 18, muito luxuosa e grandiosa e isso seria um contraponto satírico", acrescentou.

Essa técnica com certeza é evidente em Em Busca do Ouro, particularmente na famosa cena em que o pequeno vagabundo e um garimpeiro se encontram retidos num afastado barraco, bloqueados pela neve e sem comida. E Dia de Ação de Graças e o vagabundo dá a idéia de cozinhar sua bota para comerem no jantar.


Ossinhos elegantes - Davis diz: "Chaplin pega a bota e a manipula como se ele fosse um maître do Savoy. Ele a trincha de uma maneira sofisticada, como se se tratasse de um prato fino, de uma posta de filé mignon ... Os pregos da bota são tratados como se fossem ossinhos elegantes:

os cadarços são como espaguetes delicados."

"Para dar sustentação a esse desempenho, ele nos dá a música de um trio que toca no pátio, sob as palmeiras - exatamente do tipo que a gente só pode ouvir no Savoy. O humor está no contraste entre a elegância do desempenho e da música e a cena de desolação e desespero."

Na autobiografia, Chaplin contou: "Os arranjadores de música raramente entendiam essa técnica. Queriam que a música fosse engraçada. Mas eu costumava explicar que não queria nenhuma competição. Queria a música para expressar o sentimento." E ela expressa o sentimento e também o sentimentalismo.

Em Em Busca do Ouro, Chaplin convidou sua namorada Georgia para o jantar do réveillon (a própria Georgia ganha um tema de amor encantador, adaptado de uma música para piano de Brahms). Georgia aceita o convite apenas como uma brincadeira, mas não comparece. Em vez disso comemora o ano-novo com seus amigos no salão de baile local. Os acordes de Auld Lang Syne chegam meio abafados até a cabana do pequeno vagabundo, onde a mesa está posta e as velas, consumidas, já se apagaram.


Clássicos famosos - A existência de Chaplin como uma celebridade na Califórnia do pré-Guerra o levou a um contato constante com uma série de músicos clássicos famosos, que pareciam admirá-lo muito. Há filmes gravados da década de 1930 mostrando-o improvisando duetos com a compositora e pianista Germaine Tailleferre. Ele também era muito amigo do compositor Hanns Eisler (e teve um momento difícil durante uma entrevista à imprensa depois do lançamento do filme Monsieur Verdoux em 1947, quando foi instado a responder às alegações de que Eisler era comunista). Foi fotografado com o grande violinista Yasha Heifetz e se reunia para jantar com Horowitz, Rachmaninoff e Schoenberg.

Stravisnki estava impressionado com a idéia de fazer um filme com Chaplin.

Enquanto jantavam juntos, Chaplin inventou um cenário surrealista, envolvendo um clube noturno decadente que incluiria uma representação da crucifixão de Cristo. Stravinski ficou chocado - considerou a idéia sacrílega. Chaplin logo perdeu o interesse na idéia.

"Os compositores tinham uma idéia muito estranha a respeito da maneira como poderiam trabalhar com Chaplin", diz Davis. "Schoenberg, por exemplo, pensava que poderia escrever primeiramente uma partitura e fazer Chaplin descrever depois as cenas em torno dela. Mas é natural que esses grandes artistas tenham sido atraídos pelo gênio de Charlie. Ele era um deles. Suas partituras, dentro dos limites que ele mesmo traçou, são perfeitas. Eu não mudaria nelas nenhuma nota." (Tradução de José dos Santos) .

Fonte: http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2000/12/10/cad983.html


9 de dezembro de 1997

Sátira de Chaplin não perde a atualidade

O Grande DitadorPode ser mentira, mas conta a lenda que Adolf Hitler gostava de assistir secretamente a O Grande Ditador. O führer divertia-se com a caricatura que Charles Chaplin fez de um ditador muito parecido com ele. Aliás, é impressionante como essas duas figuras opostas conseguiam ser tão parecidas, fisicamente. Hitler, o homem que levou o mundo à 2ª Guerra e foi o artífice do holocausto, responsável pela morte de 6 milhões de judeus, e Chaplin, o criador de Carlitos, um dos personagens mais ternos e gentis da história do cinema.

O Grande Ditador está saindo em vídeo pela Continental, empresa que tem em seu acervo verdadeiros clássicos da cinematografia universal. Em dezembro, a Continental promete colocar nas locadoras A Carroça Fantasma, do sueco Victor Sjostrom. À espera de A Carroça Fantasma, o público pode (re)ver antes O Grande Ditador. É uma das grandes sátiras políticas, talvez a maior, do cinema.

Na sua autobiografia, publicada em 1964, Chaplin afirma que se soubesse dos horrores que se perpetravam nos campos de concentração do nazismo não teria feito o filme - não conseguiria fazer graça à custa da demência homicida de uma ideologia tão voltada contra o ser humano. Chaplin começou a escrever o roteiro no princípio de 1939, com base numa idéia que lhe fora sugerida pelo produtor e diretor inglês Alexander Korda. Com base na semelhança física entre Chaplin e Hitler, Korda sugeriu ao grande artista que fizesse uma sátira de Hitler que girasse em torno de uma troca de identidade.

Chaplin sofreu muitas pressões e ameaças durante a rodagem. Grupos pró-nazistas ameaçavam jogar bombas nos cinemas onde o filme fosse exibido. Mas o autor não se deixou intimidar e concluiu a montagem no momento em que as tropas hitleristas invadiam a França. Chegou a dizer que projetaria o filme nem que tivesse de comprar um cinema e fosse o único espectador na sala. Lançado em Nova York, em outubro de 1940, O Grande Ditador não recebeu comentários muito entusiasmados e ainda irritou os isolacionistas, que queriam manter a neutralidade dos Estados Unidos na guerra que já se travava na Europa.

A polêmica social que Chaplin iniciou com Tempos Modernos se torna aqui política. Na história, Chaplin interpreta dois papéis: faz um barbeiro judeu e o ditador Hynkel. O barbeiro enamora-se de uma jovem, Hannah (Paulette Goddard), e tem de fugir das perseguições anti-semitas. O acaso faz com que ele, sósia do ditador, assuma o lugar desse último. Toda a ação cômica converge para o célebre discurso final, quando o barbeiro, travestido de ditador, faz um apelo ao pacifismo e ao humanismo. Chaplin, que havia resistido o quanto pôde ao advento do cinema sonoro, usa nessa cena a palavra para completar a expressão do homem.

Obra-prima - É emocionante. Num trecho dessa obra-prima do discurso universal, Chaplin diz: "O ódio dos homens passará, os ditadores morrerão e o poder que eles usurparam voltará ao povo. E, enquanto houver homens que saibam lutar por ela, a liberdade não morrerá." A sátira é particularmente aguda e violenta contra Hitler, perseguidor dos judeus, mas a intenção é mais ampla: a defesa dos direitos humanos, do homem comum e humilde, que sempre foi Carlitos. É o primeiro filme em que Chaplin fala (após as frases sem sentido da música de Tempos Modernos) e o último em que aparece Carlitos - um Carlitos em processo de mudança. O barbeiro tem uma dimensão carlitiana, mas desapareceram as características externas do imortal vagabundo - as calças largas, os enormes sapatos e o andar típico.

No filme seguinte, Carlitos desaparece de vez e Chaplin metamorfoseia-se em M. Verdoux, o criminoso que está para ser executado enquanto a sociedade celebra a chacina da guerra sob o nome de heroísmo. Chaplin terá problemas, mais tarde, com o macarthismo por causa desses filmes. Tudo isso faz parte da história. Há momentos de O Grande Ditador que você vai ver com o botão de rewind na mão, para poder voltar atrás e rever a cena. O balé do ditador com o globo terrestre, tão marcante que foi usado como abertura da novela O Dono do Mundo, e a barba feita no cliente ao som da Dança Húngara, de Brahms. Dificilmente serão esquecidos - são momentos sublimes de uma das obras que o tempo consagrou entre as maiores de Chaplin.

 

LUIZ CARLOS MERTEN


Produção mostra Chaplin obsessivo

SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

Especial para o Estado

Quem poderia imaginar que o doce e adorável Carlitos, o vagabundo mais querido do mundo e o maior ícone do cinema tenha sido criado por um homem cujo nome parece estar ligado a adjetivos pouco elogiosos como obsessivo e autoritário? Será possível que aquele personagem desajeitado, irreverente, de calças sanfonadas, paletó justinho, sapatos enormes, chapéu coco, bigodinho e inseparável bengalinha tenha ganho vida por meio de uma pessoa cheia de manias, ambiciosa e manipuladora?

O documentário O Chaplin Desconhecido não diz nem sim nem não à questão, mas dá sinais nítidos de que o comediante tinha um gênio, no mínimo, difícil. Lembrando os 20 anos da morte de Charles Chaplin, que foi animar o reino dos céus no Natal de 1977, o GNT exibirá, a partir do dia 26, a série de três programas que revelam como o rei do riso foi, ao mesmo tempo, um mestre na arte de improvisar e um obsessivo perfeccionista.

Por muito tempo, colecionadores de filmes e pesquisadores do mundo inteiro sonharam encontrar um baú cheio de imagens inéditas de sir Charles Chaplin: copiões, cenas que não foram aproveitadas, filmes abandonados. O próprio Chaplin deixou ordens estritas para que o material fosse incinerado. Sua viúva, Oona O'Neill, no entanto, permitiu que os produtores Kevin Brownlow e David Gill tivessem acesso ao tesouro guardado nos arquivos da família.

Os dois descobriram caixas e mais caixas contendo milhares de metros de preciosidades, que foram unidas e transformadas no documentário feito para a Thames Television. Os programas mostram o método de trabalho de Chaplin, cenas inéditas de clássicos como Luzes da Cidade e Tempos Modernos, além de testemunhos de Jackie Coogan (o menino de O Garoto), Lita Grey (ex-mulher do cineasta), Georgia Hale (a protagonista de Em Busca do Ouro) e Virginia Cherril (a ceguinha de Luzes da Cidade).

Foram 54 anos dedicados ao entretenimento. Chaplin emerge como o ator de 81 filmes, o cineasta polivalente que escreveu, produziu e compôs a música da maioria de seus trabalhos. Narrada por James Mason, a série apresenta um Chaplin cuja verve parece estar em constante estado de ebulição. Mesmo quando filmava aleatoriamente ou simplesmente bancava o bobo, o comediante desenvolvia idéias, muitas das quais reaproveitaria no futuro.

É o caso do filme caseiro rodado na mansão de Douglas Fairbanks e Mary Pickford: Chaplin arrisca uma dança com o globo terrestre, o embrião do antológico pas-de-deux de O Grande Ditador. Hollywood ainda era a rural Hollywoodland quando Chaplin comprou cinco acres de plantação de pêssegos na Avenida La Brea e montou seu estúdio. O documentário acompanha a construção do lugar, que mais parece uma vila inglesa - provavelmente inspirada em imagens da infância do ator nos bairros pobres da terra natal, a Inglaterra.

Pouco depois, em 1919, ele fundou a United Artists ao lado do melhor amigo, Fairbanks, Mary Pickford e D.W. Griffith. Finalmente dono do próprio nariz, Chaplin rendeu-se ao privilégio de gravar quando, como e o que lhe viesse à cabeça. A série mostra trechos de filmes nunca lançados e imagens registradas por pura diversão. Há momentos de intimidade: o diretor recebendo a correspondência matinal e recepcionando os ilustres visitantes que apareciam no estúdio.

Os que o conheceram bem, porém, dizem que ele não era tão agradável quanto aparece no documentário. Desde o início, quando atuava na companhia teatral de Fred Karno, Chaplin não era de muitos amigos. Poucos suportavam seu ar de `sabe tudo'. A maioria das biografias descreve-o como arrogante, egocêntrico e despótico. "Para fazer comédia só preciso de um parque, um policial e uma garota bonita", dizia.

Ao contrário de Mack Sennett, seu mestre nos estúdios Keystone, Chaplin nunca trabalhava a toque de caixa. Filmava três ou quatro dias, parava duas semanas estudando ou refletindo sobre o material rodado e ensaiando soluções. Era um artesão. Consumiu 30 meses estudando Luzes da Cidade e deu-se ao luxo de levar um ano e meio para filmar apenas um quarto de Em Busca do Ouro, desistindo do trabalho em locação (nas geleiras de Truckee, na Califórnia) para recomeçar do zero numa geleira de estúdio.

Gastava película como ninguém. Só a cena em que Carlitos se encontra pela primeira vez com a ceguinha em Luzes da Cidade demorou 83 dias para ser concluída - 62 dos quais dedicados a discussões em torno da melhor forma de filmá-la. Fascinado pela expressividade de certos objetos, Chaplin perdia meses ajustando a confecção de uma porta giratória ou de um poste às exigências de sua pantomima.

Levou quase três semanas para produzir com a forma correta e o sabor mais palatável a botina devorada em Em Busca do Ouro. O confeiteiro tirou do forno 20 pares de botas, consumidas pelo ator - sem efeitos colaterais - nas inúmeras tomadas que precederam a que seu perfeccionismo julgou adequada. Nas filmagens de Casamento ou Luxo, por exemplo, a atriz Lydia Knott precisou de uma dose extra de paciência, pois teve de repetir a cena em que recebe a notícia da morte de seu filho 49 vezes.

Marlon Brando, que atuou sob a batuta de Chaplin em A Condessa de Hong Kong, considera o diretor um tirano. Lembra da rigidez do cineasta em relação ao filho, Sydney, que fazia parte do elenco: "Vi-o torturar o garoto com insultos e humilhações; ele era perverso."

O filme, diga-se de passagem, foi rodado na Inglaterra, durante o exílio a que Chaplin foi forçado, em 1952, após ter sido proibido de voltar aos Estados Unidos sem antes provar que não era comunista. Seria mais uma das vítimas da insana caça às bruxas do senador Joseph McCarthy. Chaplin preferiu partir e trocou os EUA pelo refúgio na mansão em Vevey, na Suíça, onde morou com Oona e os dez filhos - dois deles de Lita Grey - até a morte. Alguns estudiosos afirmam que Chaplin não era exatamente um cineasta genial, mas um gênio que se expressou por meio do cinema. E, como todo gênio, tinha suas idiossincrasias. O espectador desavisado pode entender O Chaplin Desconhecido apenas como mais uma ode ao senhor da comédia, mas sua graça e verdadeira importância residem no significado obtuso, nas entrelinhas de tão raras imagens.

Fonte:http://www.estado.estadao.com.br/edicao/pano/97/12/08/ca2029.html

 08 de setembro de 1996.

Chaplin era un avaro

VASTO, Centro de Italia _ La avaricia de Charles Chaplin era legendaria, pero pocos sabían que, para obtener una rebaja en un pasaje en barco de Gran Bretaña a Estados Unidos, el famoso cómico inglés no dudó en hacerse pasar por un miembro del sindicato de tabacaleras que tenía derecho a ese descuento.
Esta y otras divertidas anécdotas fueron contadas por el quinto de sus ocho hijos, Eugne, durante un festival dedicado al cine de aventura que se celebra en Vasto, Abruzos, centro de Italia, dijo ayer la agencia ANSA. Eugne fue el primero de los hijos de Chaplin que nació en el exilio en Suiza, luego de que el cómico fue obligado a irse de Estados Unidos durante la ola de persecución anticomunista.
En Vasto, Eugne, aportó una copia nueva del corto de Chaplin Día de pago (Pay Day) con la banda musical que el cómico le agregó con la llegada del sonoro, y declaró haber descubierto un viejo afiche de principios de siglo en el que su padre aparecía con el nombre de Zip.Eugne Chaplin se dedica a custodiar y administrar la obra de su padre. Además, dirige un festival de cine cómico en Vevey y administra una fundación, la Belochyo, que ayuda al cine independiente y transforma viejas salas cinematográficas de Italia, Francia, Suiza, Gran Bretaña, Irlanda y Alemania en multicines.

http://www.el-universal.com/1996/09/18/C18CHA.shtml